sexta-feira, 27 de julho de 2012


A DOUTRINA DO PECADO (Introdução à Hamartiologia I Pe. 1.16; Tg 1.17)
HAMARTIOLOGIA – (gr. Hamartia amartia, "pecado" e logia lógoV), "tratado". Área teológica que estuda o pecado em todos os seus aspectos: sua origem, causas, conseqüências e sua natureza essencial.

I. A ORIGEM DO PECADO
Filósofos, psicólogos, teólogos, cientistas e muitos outros têm-se ocupado com o mistério da origem do pecado. Os resultados das suas pesquisas diferem muito entre si, mas a Bíblia nos dá a definição correta.
1.1 Em Relação a Deus: Deus não pode pecar. A origem do pecado jamais pode ser dEle, pois Deus é Santo (1Pd. 1:16), é Luz (I Jo. 1:5) e não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta? (Tg. 1:13).
1.2 Em Relação ao Homem: A origem do mal tampouco foi o homem, pois foi criado a imagem de Deus (Gn. 1:27) e perfeito (Gn. 1: 31; Ec 7: 29). Quando Adão e Eva foram criados, o mal já existia no universo. Seu pecado originou-se no Éden (Rm. 5: 12; Gn. 3:1-24), por um ato de desobediência responsável por parte de Adão.
1.3 Em Relação a Satanás: O pecado inicial foi achado em satanás. Alguns anjos o seguiram em seu pecado. (Jo. 8: 44; 1 Jo. 3:8; Ez. 28:14, 16; Is. 14: 12 à 14; Lc. 10:18). Por que Deus criou Satanás, se sabia que, mais tarde, ele rebelar-se-ia e transformar-se-ia no grande inimigo de Deus e da raça humana? Por que Deus também criou o ser humano, se sabia que ele iria pecar e trazer tanta desgraça sobre si mesmo? Deus sabe todas as coisas, o que já aconteceu e o acontecerá. Só que Ele não interfere em uma coisa: A Liberdade de Escolha dos seres criados. Se Deus deixasse de criar Lúcifer, somente porque este, no futuro, dar-Lhe-ia muito trabalho, estaria mostrando certo tipo de manipulação para seus próprios interesses. Deus criou seres livres, que tinham todos os motivos para amá-Lo, mas que poderiam, também, se voltar contra Ele próprio, se o quisessem. Lúcifer e seus aliados, por escolha pessoal preferiram duvidar da bondade de Deus e se rebelarem contra Seu governo. Deus tem permitido o "mal" por tantos milênios, a fim de que a real malignidade de Lúcifer fique patente aos olhos de todo o universo e tem permitido a existência da raça humana a fim de que cada habitante decida de que lado deseja estar e para que o propósito de amor que Ele tem para a humanidade seja alcançado (I João 4:8). Ele criou a raça humana, porque, mesmo apesar da triste história do pecado, muitos se colocariam ao lado dEle, no conflito histórico entre o bem e o mal. Muitos iriam louvá-Lo, em meio às tragédias causadas pelo pecado. Muitos se tornariam Amados Filhos, em meio aos tormentos desta vida.
1.4 Pequena História da Teologia do Pecado Original e da herança pecaminosa: Sempre houve divergências quanto à definição do Pecado Original. Embora os Pais da Igreja Primitiva não se tenham dedicado ao labor de escrever o suficiente sobre este tema, contudo, segundo os Pais da Igreja Grega, há uma corrupção física na raça humana proveniente de Adão, porém, isto não envolvia a culpa. Irineu (130 a 200 d.C.) enfatizava que a culpabilidade do pecado foi transmitida a partir de Adão e que a lavagem dos pecados se iniciaria com a fé.  Seu contemporâneo Cipriano entendia que todos nascem culpados do pecado de Adão e que mediante o batismo se alcança regeneração. Na Igreja latina, porém, apareceu uma tendência diferente através de Tertuliano. Este considerou o pecado original uma infecção hereditária e classificava os pecados depois do batismo como pecados mortais. Ambrósio, outro famoso Pai da Igreja Latina, foi além de Tertuliano na questão e o descreveu como um estado, fazendo uma distinção entre a corrupção inata e a culpa do homem. Orígenes ensinou o livre-arbítrio e a universalidade do pecado e que como conseqüência deste, a alma após a queda ficou aprisionada pelo corpo. Para Pelágio (Séc. IV), não existia o pecado original, pois a responsabilidade do pecado é pessoal e baseada no livre arbítrio. Pelágio  defendia que a culpa de Adão não foi transmitida aos seue filhos, pois todos têm a capacidade de julgar o bem e o mal após a formação de sua consciência moral. Ensinava que a morte não foi motivada pelo pecado de Adão, pois este morreria mesmo que jamais tivesse pecado.  Após as fundamentações da escola pelagiana – julgando Adão apenas como um mau exemplo – houve forte questionamento desta por Agostinho. Os apontamentos agostinianos ajudaram os Concílios a elaborar a doutrina do pecado original. Segundo eles, a natureza do pecador, tanto física como moralmente, está de todo corrompida por causa do pecado de Adão, de tal maneira que o homem não consegue fazer outra coisa senão pecar. Esta contaminação e culpa ofende a santidade de Deus. Os reformadores, de modo geral, estiveram de acordo com Agostinho. Somente Calvino diferia dele, principalmente em dois pontos: 1) que o pecado original não é algo completamente negativo, uma vez que esse pecado, segundo ele, dá lugar à eleição de Deus; e 2) que esse pecado está limitado à natureza sensível do homem.
1.5 Conseqüências Gerais do Pecado Original: a) Morte física: afetou a constituição do ser humano, causando-lhe a separação entre o corpo e a alma; (Gn.¨3:19; Ec. 12:7b; Rm. 5: 12, 17; Hb. 9: 27)  Morte espiritual: a separação entre o homem e Deus e trouxe consigo alguns resultados, quais sejam: - Perda da semelhança moral: entre o homem e Deus, (Gn.¨1:26-27. Rm.¨3:10-23). - Exclusão da presença de Deus: (Gn.¨3:8, 23-24; Tg. 4: 4). e – Depravação: que provoca a tendência para o mal (Gn. 6:5; 6:11-12;; Sl.¨14:1-3; Rm. 1:25; 3:10-12). c) Culpa: Condição que resulta do pecado cometido pelo pecador em relação à justiça e santidade de Deus (Gn. 3: 10). A culpa do pecado individual é intransferível (Ez¨18:1-20), porém a do pecado original é aplicada a raça como um todo.

II. A DEFINIÇÃO DE PECADO
2.1. Teorias insuficientes: As teorias que expressam definições incompletas ou erradas acerca do pecado são:
a) Dualismo: oriundo da Filosofia grega e do Gnosticismo, ensinava que o ser humano tem um espírito derivado do reino da luz e um corpo com sua vida animal derivado do reino das trevas. Assim, o pecado é a contaminação do espírito por meio da sua união com o corpo material, físico. O pecado uma entidade externa a Deus, passa a ser independente e oposto à Ele.
b) Egoísmo: de acordo com Strong, pecado é egoísmo. É preferir as próprias idéias ao invés da verdade de Deus, a satisfação da própria vontade ao invés de fazer a vontade de Deus e amar-se a si mesmo mais do que a Deus. Pode manifestar-se na forma de sensualidade, incredulidade ou inimizade contra Deus. Esta definição é ouvida com freqüência. É bíblica, mas incompleta e insuficiente, pois o egoísmo é apenas a raiz do pecado e amor-próprio a essência deste estado mal da alma.
c) Pelagiana: proposta pelo teólogo Pelágio. O pecado de Adão prejudicou somente a ele próprio. Todas as pessoas nascem no mundo no mesmo estado em que Adão foi criado. Elas têm conhecimento do que é mau e a capacidade de fazer tudo o que Deus requer. O pecado, portanto, consiste apenas na escolha deliberada do mal.
d) Agostiniana: ensinada pelo teólogo Agostinho: Todas as pessoas possuem uma depravação inerente e hereditária que inclui tanto culpa quanto corrupção. Nós ofendemos a santidade de Deus por causa de atos deliberados de transgressão e da ausência de sentimentos corretos. Porém, o pecado é negação; ele não é necessário.
e) Católica Romana: cuja fonte é o ensino da tradição: O pecado original é transmitido a todas as pessoas. Nós nascemos em pecado e somos oprimidos pela corrupção da nossa natureza. Essa privação da justiça permite que as capacidades inferiores da natureza humana ganhem ascendência sobre as superiores, e a pessoa cresce em pecado. A natureza do pecado é definida com a morte da alma. Portanto, o pecado consiste na perda da justiça original e na desordem de toda a natureza. Deve-se combatê-lo praticando obras caridosas, participando de missas, etc.
f) Ciência Cristã: O pecado é um erro da mente moral, é apenas a ausência do bem. Na verdade, existem formas de pecado extremamente malignas e agressivas, que têm uma existência positiva e são ofensas a Deus.
f) Ilusão: proposta por várias correntes filosóficas do passado e do presente, como o ateísmo, evolucionismo e materialismo. Esta idéia (errônea) assume várias formas de expressão; e.g., nossa falta de conhecimento é a razão pela qual temos a ilusão do pecado; ou, quando a evolução tiver tido tempo suficiente para nos ajudar a progredir, a ilusão do pecado desaparece. De acordo com esta linha, o pecado não existe realmente, pois é contra um Deus inexistente.
g) Determinismo: o livre arbítrio é uma ilusão. O homem pensa ser livre, mas na verdade, todas nossas opções são ditadas por impulsos internos e circunstâncias que escapam ao nosso domínio. Não se pode evitar o pecado.
h) Hedonismo: O melhor e mais proveitoso da vida é a conquista do prazer e a fuga da dor. A finalidade da vida é apenas o prazer e este deve ser desfrutado sem nenhum sentimento de culpa.    
2.2 Definição Bíblica: A Bíblia usa muitos termos para descrever a natureza do pecado: ignorância (Ef 4.18), erro (Mc 12.24-27), impureza, idolatria (Gl 5.19-20), transgressão (Rm 5.15), etc. A essência do pecado está em colocar algo mais importante no lugar de Deus, tudo oposto e aquém da sua glória e perfeição. É desobediência, uma brecha ou rompimento de relações entre o pecador e o Deus criador, é o declínio espiritual oriundo deste rompimento.

"Enquanto o pecado como um estado é dessemelhança de Deus, como um princípio é oposição a Deus e como um ato é transgressão da Lei de Deus, sua essência é sempre e em toda a parte egoísmo"
(Dr. E. G. Robinson Strong, Systematic Theology, pág. 295).
a) Por fases: O pecado apresenta diferentes fases:
 - Como Um Ato: Em I Jo. 3: 4 o pecado é definido como um ato. É transgredir, ou contrariar voluntariamente à Lei divina (Jr. 14: 7; Pv 14: 21; 24: 9; 21: 4; Rm. 14: 23 14: 19 – 22; I Jo. 3: 18- 22; I Sm. 15: 23; Tg. 2: 1 - 4, 9);  Também é deixar de cumprir parcialmente as exigências divinas (Tg. 4: 17).
- Como Um Estado: Nossos atos nada são senão expressões dos nossos seres interiores. A pecaminosidade íntima, o estado mal da alma e da personalidade então, deve preceder os atos manifestos do pecado. A natureza pecaminosa é a tendência e inclinação humana para fazer tudo aquilo que nos torna reprováveis aos olhos de Deus.  (II Co. 4.4; Ef. 4.18; Rm. 1.18- 3.20. Rm. 6: 21; 7: 8,11,13,14,17,20; I Jo. 1: 8). Vemos, então, que é uma perversidade da vontade e da disposição. O homem nunca a sobrepujará enquanto ele estiver na carne. A regeneração põe um entrave sobre ela, mas não a destrói. O pecado não é mero resultado da união do espírito com o corpo: o espírito mesmo é pecaminoso e seria tão pecaminoso fora do corpo como no corpo. Satanás é incorpóreo, contudo é supremamente pecaminoso.
b) Pela terminologia bíblica: As palavras originais mencionadas na Bíblia, explicam o significado do pecado:
- Transgressão (parabasiV  Hb. 2:2): Literalmente: ir além do limite. (Rm. 4:15; I Jo. 3: 4b, 8, 9). Os mandamentos de Deus são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território perigoso e dessa maneira sofrer prejuízo para sua alma. Adão caiu em transgressão (I Tm. 2:14; Rm. 5:14), o que significa que ele violou as ordens de Deus, deixando de cumprí-las. Toda a transgressão desonra a Deus (Rm. 2:23).
-Impiedade (asebeia asébeia; Rm. 1:18; Tt. 2:12; II Tm. 2: 16): Significa ação sem piedade, isto é, sem amor, sem adoração e devoção à Deus. O homem ímpio dá pouca ou nenhuma importância a Deus e às coisas sagradas. Estas não produzem nele nenhum sentimento de temor e reverência. Não quer saber e está sem Deus.
-Injustiça (avon; adikia adikía; Rm. 1:18; I Jo. 5: 17):. Quando falta procedimento de acordo com o direito próprioe do próximo, então se trata de injustiça.
-Desobediência (apeiqeia apéitheia; Hb. 2:2): Significa insubmissão ou rebelião (literalmente ouvir mal, com falta de atenção). Diante de Deus é como feitiçaria (I Sm. 15:2). Como Adão e Eva cometeram (Rm. 5:19; Lc. 8: 18).
-Iniqüidade (anomia anomía) (Rm. 2:8; I Jo. 5: 17): Significa falta de equidade, reconhecimento do direito ou dos princípios imutáveis da justiça. Tudo que promove desordem na vida do homem.
-Errar o Alvo (amartia hamartía) O certo é atirar sem errar o alvo (Jz. 20:16; Gn. 4: 7; Ex. 9: 27; Lv. 5: 1; Nm. 6: 11; Pv. 8: 36). Porém, quando alguém não faz o que é certo, errou o alvo, e isso expressa o que é pecado (Lc. 11: 4; 15: 18, 21; Jo. 1: 29; 8: 34; Rm. 3: 23; 6: 23; I Co. 15: 3; I Jo. 1: 7, 9, 10). A palavra reúne também idéias como errar o caminho, como um viajante enganado e ser achado em falta, quando pesado na balança divina.
-Dívida  (ofeilhmata oféilêmata; Mt. 6:12; Lc. 11: 4): O Homem “deve” a Deus a guarda dos seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de uma dívida e o homem é incapaz de pagá-la.
-Queda (htthma rêttêmá) (Rm. 11: 12; Ef. 1:7). Falta, ou cair para um lado no grego, donde a conhecida expressão, cair no pecado. Pecar e cair e um padrão de conduta.
-Derrota (yâhãm paraptwma paráptôma; Rm. 11:12): Ao rejeitar a Cristo, a nação judaica sofreu uma derrota e saiu do propósito divino.
-Erro (paraptwma paráptôma; Salmos 19: 12; Hb. 9:7): Alguns pecados cometidos são fruto da ignorância, e dessa maneira se diferenciam daqueles pecados cometidos presunçosamente, desafiadoramente apesar da luz esclarecedora e que incorrem em maior grau de culpa do que aquele que é apanhado em falta por debilidade. A palavra significa literalmente tortuosidade e perversidade.

III. Extensão da natureza pecaminosa:
Todos os homens, cuja única exceção é o Deus – homem, Cristo Jesus nosso Senhor, são pecaminosos por natureza e expressam essa pecaminosidade interior em transgressão deliberada tão cedo atinjam a idade de responsabilidade, esta é a doutrina da Universalidade do pecado (Rm. 3: 23; 5: 2; 5: 16). As Escrituras ensinam também que a extensão do pecado no ser humano individual é total. O pecado permeou cada faculdade do ser humano assim como uma gota de veneno permeia cada molécula de um corpo de água. O pecado polui todo ato seu:
3.1 Presença do Pecado: Na mente. Gn. 6: 5, coração. Jr. 17:9. Nos afetos, de maneira que o homem é oposto a Deus. Jo. 3:19; Rm. 8:7, na consciência Tt. 1:15; Hb. 10:22, na palavra. Sl. 58:3; Jr. 8:6; Rm. 3:13. É Depravado da cabeça aos pés. Sl 1:5,6; Is. 1:6. Ao nascer. Sl 51:5;
3.2 Base da depravação e fraqueza espiritual: jaz no coração. Ele é enganoso e irremediavelmente perverso (Jr. 17: 9), dele vêem as saídas da vida (Pv. 4:23) e as boas coisas e as más (Mt. 7:17,18; Lc. 6:45; Jó 14:4).

IV. Pecado Imputado
 Imputação é o resultado da participação de cada homem no pecado original de Adão.
4.1 Realidade: Rm. 5.12; 5: 19; Ef. 2: 3: Toda humanidade estava em Adão, participando de seu pecado e assumindo a culpa resultante dele, pois a perfeita conexão entre o pecado de Adão e o da sua posteridade é explicada por que Deus criou somente uma raça humana e Adão o primeiro homem, constituindo-se, portanto, a raça na ocasião da queda . Por isto, quando ele caiu, toda a raça caiu com ele. A experiência mostra que se estivéssemos no lugar de Adão teríamos também caído. A raça pecou somente uma vez, na queda e o indivíduo peca muitas vezes. Por isto, cada um tem a culpa de seu próprio pecado. O pecado da raça é nosso, os pecados individuais de Adão após a queda eram particularmente dele (Sl 51.5; ).
4.2 Transmissão: Há várias teorias que tratam da Transmissão do pecado de Adão a cada membro da raça:
a) Teoria de Armínio: Todas as pessoas nascem destituídas de Justiça original, devido à desobediência de Adão e são por isto expostas à morte física e espiritual. O homem possui pleno livre-arbítrio, porém ninguém é capaz de obedecer a Deus, por que herdamos da queda a natureza corrupta para desobedecer às leis de Deus. Os descendentes de Adão, porém, não têm culpa na queda, porque o culpado foi Adão e assim, Deus deve então auxiliar cada um dos homens. Todo ser nascido deve ter a mesma oportunidade que Adão teve e por isto, Deus torna-se obrigado a influenciá-lo com o Espírito Santo para compensar a perda da Justiça original de Adão. Como o homem não tem culpa da queda, Deus só imputa o pecado, quando o homem peca pela primeira vez na sua vida. A responsabilidade do homem é em relação aos próprios atos e por estes ele será julgado.
b) Teoria Congregacionalista: Os homens já nascem corrompidos com a tendência pecaminosa (e não natureza). Herdamos de Adão apenas esta tendência para o pecado e esta leva para a morte. Deus imputa ao homem apenas a culpa de seus pecados pessoais práticos para sua morte pessoal e não o pecado da raça em Adão. Acusa também Deus de ser o criador da natureza corrompida do homem e de condenar os infantes por pecados que ignoram.
c) Condenação por Contrato: Adão foi o representante da raça e houve um contrato com Deus de que: Se o homem fizesse o bem herdaria a vida eterna e se o mal, a condenação eterna. Como Adão pecou, sua posteridade ficou corrompida. Acusa Deus de ser o criador da alma pecaminosa no homem, quando Deus apenas o concedeu o livre arbítrio. Não está registrado na Bíblia tal contrato. A relação representante-representado é insuficiente para descrever a relação Adão-humanidade, com respeito à imputação do pecado.
d) Teoria de Agostinho: Deus imputa o pecado de Adão aos seus descendentes diretamente por causa da relação vital entre Adão e estes. Na queda, a raça estava em Adão e Adão era a raça. Somos filhos dele tanto quanto o eram seus primeiros filhos. Nascemos com a natureza pecaminosa e esta é que nos compele a pecar (Sl. 51: 5; Is. 53: 6). Esta teoria é aceita pelos batistas.   
e) Calvinismo: Deus não poderia dar a ninguém o desejo de pecar e nem mesmo uma natureza pecaminosa. O pecado de Adão é o nosso pecado, pois este era nosso representante e a liberdade humana e angelical é que torna todo o mal possível. O desejo de realizar o mal vem de nossa natureza caída, que somente desejará o mal. 

A DOUTRINA DO HOMEM (introdução a Antropologia Bíblico-teológica)

I.       ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA: é o estudo do homem estudado sob o prisma da revelação divina, analisando sua criação, natureza, queda, redenção e futuro. Responde a questão: Que é o homem? Jó 7: 17. O termo “Homem” em português vem do latim “'homo” que se deriva de húmus (latim),a porção fértil do solo. No A.T. hebraico mda (Adam), tomado da Terra e no N. T. anqrwpoV (athtrôpós, aquele que olha para cima).  
II.    A ORIGEM DO HOMEM
Movidos pela incredulidade na Bíblia, ou fugir da sua verdade, os homens inventaram várias teorias erradas para explicar a origem da humanidade. Citaremos algumas delas:
                   - Teoria autoctonista: Proposta e ensinada pelos antigos gregos, principalmente por alguns filósofos. O homem teria surgiu por meio de uma classe de gerações espontâneas.
                   - Teoria coadamita: proposta por Agassis. Houveram diferentes centros de criação do homem. Sendo que, à medida em que se criou o Adão da Bíblia na Mesopotâmia, outros “ Adões” teriam surgido na África, Ásia, etc.
              - Teoria pré-adamita: proposta por Peirerus em 1655: Antes da existência de Adão, já existiam homens de raças inferiores. Winchell aceitou esta teoria, explicando que Adão foi apenas o primeiro da raça hebraica. 
                   - Teoria evolucionista: proposta por Charles Darwin (1889) e trabalhada por vários cientistas. O homem evoluiu de um mesmo ancestral que os símios. Aprofundaremos-nos nela posteriormente.
                 - Teoria vondanikiana: Década de 60 por Erich Von Daniken. A vida foi trazida pelos extraterrestres e o homem seria resultante do cruzamento entre extraterrestre e animais da Terra.
                    - Criacionismo Bíblico: é a realidade ensinada e crida pelos cristãos fiéis. Foi revelada divinamente através do Espírito Santo e registrado por Moisés nos capítulos I e II de Gênesis. Não contradiz nenhum conhecimento científico sério. Deteremos-nos neste ponto durante esta lição.
III. O CRIACIONISMO BÍBLICO
            - O ato da Criação do homem
a)      Precedido por solene Conselho Divino: Foi baseada num decreto eterno e transcendental das três pessoas da Trindade: Façamos (Gn. 1: 26);
b)      Imediato por Deus: Diferente das aves, céus e seres marinhos (Gn. 1: 11, 20; Gn. 1: 27), o homem foi criado e consumado em um só ato e não em um processo. Não foi também evolutivamente. O historiador Carl Grimberg se expressou: “(...) Foi repentino o nascimento da sua inteligência. Tudo faz supor que o limiar por onde se ascendeu diretamente ao pensamento foi transposto de uma só vez....”.
c)      De manifestação de sua glória e para Sua glória: (Is. 43: 7; Rm. 11: 36)
d)      Visava manter comunicação e afetividade: com um ser em um dos planetas. “Nossa semelhança”. (Gn. 1: 26; 2: 7). As categorias escolhidas foram anjos (espirituais) e homens (também materiais no Éden ).
            - Evidencias da Criação do Homem
a)         Argumento Histórico: A história das migrações e das tradições aponta a origem geográfica comum da humanidade, antes de uma distribuição universal a partir da região mesopotâmica.
b)        Argumento Filológico: Estudos lingüísticos comprovam que as línguas tiveram uma origem comum. Por exemplo, as de origem indo-germânicas são ligadas a resquícios de sânscrito, que é ligado às línguas egípcias e orientais.
c)         Argumento Psicológico: as almas dos homens, independente de língua, credo, etnia e civilização possuem mesmas características: apetites, instintos e paixões, as mesmas tendências e qualidades.
            - O Método da Criação
a)        Reprodução: Deus programou geneticamente homem e mulher, com potencial de gerar seres semelhantes a eles mesmos v. 28. Os fez conforme a sua imagem. Os fez vegetarianos e perfeitos v. 29 a 31.
b)     Material e Design: provavelmente Deus remodelou (verbo: rxy, ytser) a forma corporal do homem sobre uma porção de solo no sexto dia da criação, retirando dele certos elementos (Gn. 2: 7). Deus transmitiu o espírito que animou a matéria organizada e inerte. Em Gênesis 1: 27, a palavra criou é bará (arb), verbo cujo sujeito é apenas Deus e é empregado para objetos que passam a existir, sem terem existido antes. Lélia Coyne, pesquisadora da Nasa e professora da Universidade San José, Califórnia em 1985 publicou que a vida humana começou com estratos de caulim (barro branco), devido a enorme semelhança da constituição química do homem e deste tipo de solo.  Registros: duas vezes (Lei da dupla referência) na Bíblia. Uma vez de forma sintética e geral (Gn. 1) e outra de forma analítica e específica (Gn. 2). Deus criou primeiramente um lar geral (Terra e Universo) e um lar especial (Éden): um ambiente com luz, lindo céu estrelado, oceanos, animais e vegetais (Gn. 1: 1 - 25). E no jardim, ele trabalharia lavrando-o e guardando-o e dominando (2: 15). Deus deixava-o a vontade para aprender sobre a criação e vinha fazer-lhe companhia aos finais da tarde. Aqui termino, invocando para todos os leitores Nm. 6: 24-26.
IV.  A CONDIÇÃO ORIGINAL DO HOMEM
4.1 - Possuía a imagem de Deus (Gn. 1: 27): No hebraico temos a expressão: mlxb wmlxb (bê-tsá-lê-mô bê-tse-lém), onde = em, na; tsá-lêm = imagem, estátua,  modelo; ô = sua, dele e tselém = modelo, desenho. Na sua imagem, no seu desenho (Gn. 5: 1 e  9: 6). Imagem não denota semelhança física pois Deus é Espírito (Jo 4: 24), não possuindo partes ou substâncias. Deus é invisível (I Tm. 1: 17), ao mesmo tempo em que o homem é visível. Portanto a esta semelhança é:
a)      Pessoal: Ambos apresentam personalidade (Ex. 3: 13, 14), característica que é não é comum a nenhuma outra criatura, exceto os anjos e demônios. Na Terra, só o homem é capaz de conhecer, amar e servir a Deus. a personalidade inclui: -Caráter moral: O homem tem pleno livre arbítrio e reconhece racionalmente  o bem e o mal em e para suas decisões (Is. 7: 15, 16 e Dt. 30: 19). – Razão: O homem observa, compreende, interpreta e tenta, na medida do possível, controlar os fenômenos naturais do universo, percebendo para isto, os objetos e as relações entre os objetos, podendo inventar e transformar (Dn. 12: 4; Sl. 94: 10).  
b)      Imortal: Deus criou o homem para ser uma criatura eterna. O homem pode morrer o corpo, mais o espírito não é aniquilado (Mt. 25: 46; Dn. 12: 2).
c)      Soberana: Deus deu a ele poder para dominar a Terra (Gn. 2: 28; 9: 2); Deus outorgou-lhe o governo sobre a criação como seu representante e assistente.
4.2 - Possuía a Natureza Santa (Ec. 7: 29): Foi criado um ser santo, com responsabilidade de desenvolver um caráter santo (Gn. 2: 15-17). O homem originalmente não era sujeito a morte, dor, envelhecimento ou doenças.     
V.     PERÍODO DE PROVAÇÃO
5.1-      Significado: Período durante o qual, o homem foi sujeito a determinada prova que consistui de um mandamento positivo concernente a àrvore do conhecimento do bem e do mal. Os resultados seriam: se positivos, a confirmação da justiça do homem e o favor de Deus. Se negativos, a penalidade da morte por desobediência.
5.2-      Período: Desde a ordem expressa de Deus até a queda do casal. Se um século, alguns dias ou semanas, não sabemos, mas temos certeza de que o homem era capaz de obedecer.   
VI.  A QUEDA DO HOMEM
Esta doutrina não se limita a religião cristã, pois todas as religiões contém um relato ou indicação da queda.
6.1-      Sua realidade (Gn. 3: 1-6; Rm. 5: 12): Os pais da raça pecaram e caíram da posição de favor e do estado de inocência originais.
6.2-      Sua maneira: O tentador (Gn. 3: 1) entendeu a possibilidade da tentação (Gn. 2: 16) e ofereceu sugestões primeiramente à mulher, que depois assume a posição de tentadora ( 6: 7).
6.3-       A culpa (3: 7, 8) : Ambos perderam a natureza do Estado original. Eram pecadores responsáveis por seus atos.
6.4-       O Juízo: como conseqüência, bem como castigo da desobediência e abrangeu:
a)      O Homem: frágil, em virtude da queda, teria dificuldades no trabalho, até ser levado à morte (3: 17-19);
b)      A Mulher: sofrimentos físicos e psicológicos da gravidez e do parto e das doenças genitais (3: 16);
c)      A Serpente: Como deu lugar a manipulação Diabólica, perdeu suas características originais
d)     Todos os Homens: estão sujeitos ao pecado e à morte. (Gn. 2: 17; Rm. 6: 23; 5: 12);
e)      Toda a Natureza: é afetada pelo pecado ( Ef. 6: 11, 12;  II Pe. 3: 10; Is. 55: 13; 11: 6-9).
VII.                 A BIFORME NATUREZA DO HOMEM
O homem foi criado com uma biforme natureza: material e imaterial. A primeira formada do pó da terra (Gn 2.7) e a segunda outorgada diretamente pelo Criador. O sopro divino nas narinas do homem concedeu-lhe a vida física e a espiritual interagindo com o corpo e originando a alma. A vida imaterial do homem é representada pela alma e/ou pelo espírito. De acordo com estudiosos bíblicos, o homem ou possui Corpo e Alma-espírito, uma DICOTOMIA, ou Corpo, alma e Espírito, a TRICOTOMIA. Ambos crêem que só a morte física é capaz de separar estas partes.
7.1-  A Tricotomia: O termo significa "aquilo que é dividido em três", ou "que se divide em três tomos". Os tricotômicos acreditam que o homem é formado por três partes, uma tri-unidade composta e inseparável, o Corpo, alma e espírito, com base nas passagens Hb. 4: 12 e I Ts. 5: 23.
a) O Corpo: É a parte material do homem e se constitui de elementos químicos da terra, como oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre , sódio, cloro, iodo, ferro, cobre, zinco, e outros elementos que se unem em moléculas, tecidos, órgãos e sistemas. (II Co. 5: 1; Dn. 7: 15; I Co. 6: 19; Ef. 5: 29).
- As faculdades sensoriais do corpo. São os cinco sentidos, os quais se manifestam através do corpo: visão, audição, olfato, paladar e tato. Ainda que distintos, eles não atuam independentes do comando da alma. Dirigem aos instintos naturais: reprodução, alimentação e proteção através de impressões do mundo exterior, transmitidas ao cérebro. É daí que partem as ordens para todas as partes do corpo. Os sentidos obedecem às leis naturais no ser humano.
b) A alma: Possui relação com a parte material do homem (corpo) e com a parte espiritual (espírito). É a personalidade do homem, sua capacidade de pensar e decidir, sem a alma o corpo não vive, pois é a alma que dá qualidade de vida ao corpo, planejando, pensando, ordenando ao movimenta, à falar, etc... É traduzida, no hebraico do Antigo Testamento, por "NEPHESH" e, no grego do Novo Testamento, por "PSIQUÊ".
- As faculdades da alma. São três as faculdades da alma, pelas quais ela se manifesta: -O Intelecto: (Gn l.28; 2.19,20) que pensa, raciocina, decide, julga e conhece. Três outras manifestações do intelecto lhe são peculiares: a imaginação, memória e razão. Com a primeira, o homem é capacitado a idealizar e projetar, construindo imagens, através do raciocínio. A segunda, capacita o homem a guardar em seu cérebro os fatos passados e presentes. Ela retém os conhecimentos adquiridos e os traz à lembrança. A terceira leva-o a pensar, julgar e compreender as relações entre as coisas, distinguindo o verdadeiro e o falso, o bem e o mal. -O Sentimento: faz o homem um ser emotivo. Ele não é uma máquina insensível, pode sentir todas as emoções, como alegria, paz, prazer, tristeza, descontentamento e pesar.  - A Vontade: se expressa como resultante das influências do intelecto e dos sentimentos. Não age sozinha, ela obedece às forças emotivas e intelectuais da alma. (At. 7: 14; Lv. 17: 14; Jó 12: 10; Jó: 10: 1; Is. 61: 10; Mt. 26:38; Jo. 12: 27) 
c) O espírito:: No hebraico é "RUACH" e no grego é "PNEUMA". O espírito do homem não é um simples sopro ou fôlego, mas também vida imortal.  (Ec 12.7; Dn 12.2; Lc 20.37; 1 Co 15.53). Ele é o princípio ativo de nossa vida espiritual, religiosa e imortal. É o elemento de comunicação entre Deus e o homem.
         - As faculdades do espírito. Duas faculdades principais se destacam com abrangência sobre outras qualidades importantes, as quais são: Fé e Consciência. Elas identificam o ser religioso do homem. Podemos chamar de natureza espiritual, da qual o ser humano é dotado especialmente para uma perfeita comunhão com Deus. Os sentidos físicos e psicológicos tornam o homem um ser terreno e racional, mas os espirituais o tornam um ser especial. - A faculdade da fé: é uma qualidade do espírito humano que expressa a religiosidade do homem e o torna capaz de adorar, reverenciar, louvar e orar a Deus, o Criador. Não se trata de um tipo de fé, adquirida ou ensinada, mas é uma forma inata que nasce com qualquer ser humano. Ela nos estimula a buscar a Deus e comungar com Ele. - A faculdade da consciência: é a lei moral e espiritual, no interior do homem, que aprova ou desaprova as suas ações. É a intuição que o espírito tem dos atos e estados do ser humano em sua vida cotidiana. É a consciência. (I Co. 6: 17; Jo. 4: 24; Tg 2: 26; Sf. 3: 9).
7.2- A Dicotomia: Os Dicotômicos crêem que alma e espírito é uma mesma coisa, uma só parte, não diferenciando em nada, porém se alternam no uso em algumas passagens bíblicas apresentando-se ora alma, ora espírito. Biblicamente, o homem é uma totalidade, possuindo dois lados: físico e não-físico com uma personalidade. O homem é uma unidade psico-somática. Assim, fomos criados, assim somos agora, e assim seremos após a ressurreição do corpo. Porque futuro glorioso dos seres humanos em Cristo e a redenção plena inclui o corpo (Rm 8.23; 1 Co 15.12-57), pois, o homem não é completo sem ele na nova terra purificada e aperfeiçoada.
VIII.        A ORIGEM DA ALMA DO HOMEM
São três as teorias que tentam explicar a origem da alma no corpo humano
8.1-  Teoria da pré-existência ou emanacionismo: As almas de todos os homens foram criadas por Deus de uma só vez, no início do universo e existem no céu, sendo enviados por Deus e individualmente encarnadas aos corpos dos conceptos em certo momento. Ensinada por Justino Mártir (105-65 d. C) e Orígenes (185-254 d. C.) em ode a eternidade.
8.2- Criacionismo: A alma do homem é criada imediatamente por Deus quando o corpo nasce e envia a alma e/ou espírito para cada criança ao nascer. Dizem: “só Deus pode criar alma e/ou espírito”. (evangélicos). Hb. 12:9.Is. 57: 16.
8.3-  Traducionismo: A alma é transmitida por geração natural, tal como o corpo. O homem transmite aos filhos não só traços de aparência física, como a cor da pele, tipo sangüíneo, altura, cor dos olhos, cabelo, etc... Mas também gera e transmite a alma e/ou espírito dentro do corpo humano. Deus criou o homem, e ao soprar sobre o espírito de vida, lhe deu capacidade para se multiplicar, tanto corporalmente, como espiritualmente (evangélicos/batistas). (Jó 8: 10-12 Lc. 1: 15; Zc. 12: 1). Foi ensinada por Tertuliano em "De Anima".
8.4- Transmigracionismo (Espiritismo): O espírito nasce com o ser vivo em escalas zoológicas inferiores e vai reencarnando em espécies superiores, passando dos símios até o homem. É ligada a teoria da evolução de Darwin.