sexta-feira, 27 de julho de 2012


A DOUTRINA DO HOMEM (introdução a Antropologia Bíblico-teológica)

I.       ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA: é o estudo do homem estudado sob o prisma da revelação divina, analisando sua criação, natureza, queda, redenção e futuro. Responde a questão: Que é o homem? Jó 7: 17. O termo “Homem” em português vem do latim “'homo” que se deriva de húmus (latim),a porção fértil do solo. No A.T. hebraico mda (Adam), tomado da Terra e no N. T. anqrwpoV (athtrôpós, aquele que olha para cima).  
II.    A ORIGEM DO HOMEM
Movidos pela incredulidade na Bíblia, ou fugir da sua verdade, os homens inventaram várias teorias erradas para explicar a origem da humanidade. Citaremos algumas delas:
                   - Teoria autoctonista: Proposta e ensinada pelos antigos gregos, principalmente por alguns filósofos. O homem teria surgiu por meio de uma classe de gerações espontâneas.
                   - Teoria coadamita: proposta por Agassis. Houveram diferentes centros de criação do homem. Sendo que, à medida em que se criou o Adão da Bíblia na Mesopotâmia, outros “ Adões” teriam surgido na África, Ásia, etc.
              - Teoria pré-adamita: proposta por Peirerus em 1655: Antes da existência de Adão, já existiam homens de raças inferiores. Winchell aceitou esta teoria, explicando que Adão foi apenas o primeiro da raça hebraica. 
                   - Teoria evolucionista: proposta por Charles Darwin (1889) e trabalhada por vários cientistas. O homem evoluiu de um mesmo ancestral que os símios. Aprofundaremos-nos nela posteriormente.
                 - Teoria vondanikiana: Década de 60 por Erich Von Daniken. A vida foi trazida pelos extraterrestres e o homem seria resultante do cruzamento entre extraterrestre e animais da Terra.
                    - Criacionismo Bíblico: é a realidade ensinada e crida pelos cristãos fiéis. Foi revelada divinamente através do Espírito Santo e registrado por Moisés nos capítulos I e II de Gênesis. Não contradiz nenhum conhecimento científico sério. Deteremos-nos neste ponto durante esta lição.
III. O CRIACIONISMO BÍBLICO
            - O ato da Criação do homem
a)      Precedido por solene Conselho Divino: Foi baseada num decreto eterno e transcendental das três pessoas da Trindade: Façamos (Gn. 1: 26);
b)      Imediato por Deus: Diferente das aves, céus e seres marinhos (Gn. 1: 11, 20; Gn. 1: 27), o homem foi criado e consumado em um só ato e não em um processo. Não foi também evolutivamente. O historiador Carl Grimberg se expressou: “(...) Foi repentino o nascimento da sua inteligência. Tudo faz supor que o limiar por onde se ascendeu diretamente ao pensamento foi transposto de uma só vez....”.
c)      De manifestação de sua glória e para Sua glória: (Is. 43: 7; Rm. 11: 36)
d)      Visava manter comunicação e afetividade: com um ser em um dos planetas. “Nossa semelhança”. (Gn. 1: 26; 2: 7). As categorias escolhidas foram anjos (espirituais) e homens (também materiais no Éden ).
            - Evidencias da Criação do Homem
a)         Argumento Histórico: A história das migrações e das tradições aponta a origem geográfica comum da humanidade, antes de uma distribuição universal a partir da região mesopotâmica.
b)        Argumento Filológico: Estudos lingüísticos comprovam que as línguas tiveram uma origem comum. Por exemplo, as de origem indo-germânicas são ligadas a resquícios de sânscrito, que é ligado às línguas egípcias e orientais.
c)         Argumento Psicológico: as almas dos homens, independente de língua, credo, etnia e civilização possuem mesmas características: apetites, instintos e paixões, as mesmas tendências e qualidades.
            - O Método da Criação
a)        Reprodução: Deus programou geneticamente homem e mulher, com potencial de gerar seres semelhantes a eles mesmos v. 28. Os fez conforme a sua imagem. Os fez vegetarianos e perfeitos v. 29 a 31.
b)     Material e Design: provavelmente Deus remodelou (verbo: rxy, ytser) a forma corporal do homem sobre uma porção de solo no sexto dia da criação, retirando dele certos elementos (Gn. 2: 7). Deus transmitiu o espírito que animou a matéria organizada e inerte. Em Gênesis 1: 27, a palavra criou é bará (arb), verbo cujo sujeito é apenas Deus e é empregado para objetos que passam a existir, sem terem existido antes. Lélia Coyne, pesquisadora da Nasa e professora da Universidade San José, Califórnia em 1985 publicou que a vida humana começou com estratos de caulim (barro branco), devido a enorme semelhança da constituição química do homem e deste tipo de solo.  Registros: duas vezes (Lei da dupla referência) na Bíblia. Uma vez de forma sintética e geral (Gn. 1) e outra de forma analítica e específica (Gn. 2). Deus criou primeiramente um lar geral (Terra e Universo) e um lar especial (Éden): um ambiente com luz, lindo céu estrelado, oceanos, animais e vegetais (Gn. 1: 1 - 25). E no jardim, ele trabalharia lavrando-o e guardando-o e dominando (2: 15). Deus deixava-o a vontade para aprender sobre a criação e vinha fazer-lhe companhia aos finais da tarde. Aqui termino, invocando para todos os leitores Nm. 6: 24-26.
IV.  A CONDIÇÃO ORIGINAL DO HOMEM
4.1 - Possuía a imagem de Deus (Gn. 1: 27): No hebraico temos a expressão: mlxb wmlxb (bê-tsá-lê-mô bê-tse-lém), onde = em, na; tsá-lêm = imagem, estátua,  modelo; ô = sua, dele e tselém = modelo, desenho. Na sua imagem, no seu desenho (Gn. 5: 1 e  9: 6). Imagem não denota semelhança física pois Deus é Espírito (Jo 4: 24), não possuindo partes ou substâncias. Deus é invisível (I Tm. 1: 17), ao mesmo tempo em que o homem é visível. Portanto a esta semelhança é:
a)      Pessoal: Ambos apresentam personalidade (Ex. 3: 13, 14), característica que é não é comum a nenhuma outra criatura, exceto os anjos e demônios. Na Terra, só o homem é capaz de conhecer, amar e servir a Deus. a personalidade inclui: -Caráter moral: O homem tem pleno livre arbítrio e reconhece racionalmente  o bem e o mal em e para suas decisões (Is. 7: 15, 16 e Dt. 30: 19). – Razão: O homem observa, compreende, interpreta e tenta, na medida do possível, controlar os fenômenos naturais do universo, percebendo para isto, os objetos e as relações entre os objetos, podendo inventar e transformar (Dn. 12: 4; Sl. 94: 10).  
b)      Imortal: Deus criou o homem para ser uma criatura eterna. O homem pode morrer o corpo, mais o espírito não é aniquilado (Mt. 25: 46; Dn. 12: 2).
c)      Soberana: Deus deu a ele poder para dominar a Terra (Gn. 2: 28; 9: 2); Deus outorgou-lhe o governo sobre a criação como seu representante e assistente.
4.2 - Possuía a Natureza Santa (Ec. 7: 29): Foi criado um ser santo, com responsabilidade de desenvolver um caráter santo (Gn. 2: 15-17). O homem originalmente não era sujeito a morte, dor, envelhecimento ou doenças.     
V.     PERÍODO DE PROVAÇÃO
5.1-      Significado: Período durante o qual, o homem foi sujeito a determinada prova que consistui de um mandamento positivo concernente a àrvore do conhecimento do bem e do mal. Os resultados seriam: se positivos, a confirmação da justiça do homem e o favor de Deus. Se negativos, a penalidade da morte por desobediência.
5.2-      Período: Desde a ordem expressa de Deus até a queda do casal. Se um século, alguns dias ou semanas, não sabemos, mas temos certeza de que o homem era capaz de obedecer.   
VI.  A QUEDA DO HOMEM
Esta doutrina não se limita a religião cristã, pois todas as religiões contém um relato ou indicação da queda.
6.1-      Sua realidade (Gn. 3: 1-6; Rm. 5: 12): Os pais da raça pecaram e caíram da posição de favor e do estado de inocência originais.
6.2-      Sua maneira: O tentador (Gn. 3: 1) entendeu a possibilidade da tentação (Gn. 2: 16) e ofereceu sugestões primeiramente à mulher, que depois assume a posição de tentadora ( 6: 7).
6.3-       A culpa (3: 7, 8) : Ambos perderam a natureza do Estado original. Eram pecadores responsáveis por seus atos.
6.4-       O Juízo: como conseqüência, bem como castigo da desobediência e abrangeu:
a)      O Homem: frágil, em virtude da queda, teria dificuldades no trabalho, até ser levado à morte (3: 17-19);
b)      A Mulher: sofrimentos físicos e psicológicos da gravidez e do parto e das doenças genitais (3: 16);
c)      A Serpente: Como deu lugar a manipulação Diabólica, perdeu suas características originais
d)     Todos os Homens: estão sujeitos ao pecado e à morte. (Gn. 2: 17; Rm. 6: 23; 5: 12);
e)      Toda a Natureza: é afetada pelo pecado ( Ef. 6: 11, 12;  II Pe. 3: 10; Is. 55: 13; 11: 6-9).
VII.                 A BIFORME NATUREZA DO HOMEM
O homem foi criado com uma biforme natureza: material e imaterial. A primeira formada do pó da terra (Gn 2.7) e a segunda outorgada diretamente pelo Criador. O sopro divino nas narinas do homem concedeu-lhe a vida física e a espiritual interagindo com o corpo e originando a alma. A vida imaterial do homem é representada pela alma e/ou pelo espírito. De acordo com estudiosos bíblicos, o homem ou possui Corpo e Alma-espírito, uma DICOTOMIA, ou Corpo, alma e Espírito, a TRICOTOMIA. Ambos crêem que só a morte física é capaz de separar estas partes.
7.1-  A Tricotomia: O termo significa "aquilo que é dividido em três", ou "que se divide em três tomos". Os tricotômicos acreditam que o homem é formado por três partes, uma tri-unidade composta e inseparável, o Corpo, alma e espírito, com base nas passagens Hb. 4: 12 e I Ts. 5: 23.
a) O Corpo: É a parte material do homem e se constitui de elementos químicos da terra, como oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre , sódio, cloro, iodo, ferro, cobre, zinco, e outros elementos que se unem em moléculas, tecidos, órgãos e sistemas. (II Co. 5: 1; Dn. 7: 15; I Co. 6: 19; Ef. 5: 29).
- As faculdades sensoriais do corpo. São os cinco sentidos, os quais se manifestam através do corpo: visão, audição, olfato, paladar e tato. Ainda que distintos, eles não atuam independentes do comando da alma. Dirigem aos instintos naturais: reprodução, alimentação e proteção através de impressões do mundo exterior, transmitidas ao cérebro. É daí que partem as ordens para todas as partes do corpo. Os sentidos obedecem às leis naturais no ser humano.
b) A alma: Possui relação com a parte material do homem (corpo) e com a parte espiritual (espírito). É a personalidade do homem, sua capacidade de pensar e decidir, sem a alma o corpo não vive, pois é a alma que dá qualidade de vida ao corpo, planejando, pensando, ordenando ao movimenta, à falar, etc... É traduzida, no hebraico do Antigo Testamento, por "NEPHESH" e, no grego do Novo Testamento, por "PSIQUÊ".
- As faculdades da alma. São três as faculdades da alma, pelas quais ela se manifesta: -O Intelecto: (Gn l.28; 2.19,20) que pensa, raciocina, decide, julga e conhece. Três outras manifestações do intelecto lhe são peculiares: a imaginação, memória e razão. Com a primeira, o homem é capacitado a idealizar e projetar, construindo imagens, através do raciocínio. A segunda, capacita o homem a guardar em seu cérebro os fatos passados e presentes. Ela retém os conhecimentos adquiridos e os traz à lembrança. A terceira leva-o a pensar, julgar e compreender as relações entre as coisas, distinguindo o verdadeiro e o falso, o bem e o mal. -O Sentimento: faz o homem um ser emotivo. Ele não é uma máquina insensível, pode sentir todas as emoções, como alegria, paz, prazer, tristeza, descontentamento e pesar.  - A Vontade: se expressa como resultante das influências do intelecto e dos sentimentos. Não age sozinha, ela obedece às forças emotivas e intelectuais da alma. (At. 7: 14; Lv. 17: 14; Jó 12: 10; Jó: 10: 1; Is. 61: 10; Mt. 26:38; Jo. 12: 27) 
c) O espírito:: No hebraico é "RUACH" e no grego é "PNEUMA". O espírito do homem não é um simples sopro ou fôlego, mas também vida imortal.  (Ec 12.7; Dn 12.2; Lc 20.37; 1 Co 15.53). Ele é o princípio ativo de nossa vida espiritual, religiosa e imortal. É o elemento de comunicação entre Deus e o homem.
         - As faculdades do espírito. Duas faculdades principais se destacam com abrangência sobre outras qualidades importantes, as quais são: Fé e Consciência. Elas identificam o ser religioso do homem. Podemos chamar de natureza espiritual, da qual o ser humano é dotado especialmente para uma perfeita comunhão com Deus. Os sentidos físicos e psicológicos tornam o homem um ser terreno e racional, mas os espirituais o tornam um ser especial. - A faculdade da fé: é uma qualidade do espírito humano que expressa a religiosidade do homem e o torna capaz de adorar, reverenciar, louvar e orar a Deus, o Criador. Não se trata de um tipo de fé, adquirida ou ensinada, mas é uma forma inata que nasce com qualquer ser humano. Ela nos estimula a buscar a Deus e comungar com Ele. - A faculdade da consciência: é a lei moral e espiritual, no interior do homem, que aprova ou desaprova as suas ações. É a intuição que o espírito tem dos atos e estados do ser humano em sua vida cotidiana. É a consciência. (I Co. 6: 17; Jo. 4: 24; Tg 2: 26; Sf. 3: 9).
7.2- A Dicotomia: Os Dicotômicos crêem que alma e espírito é uma mesma coisa, uma só parte, não diferenciando em nada, porém se alternam no uso em algumas passagens bíblicas apresentando-se ora alma, ora espírito. Biblicamente, o homem é uma totalidade, possuindo dois lados: físico e não-físico com uma personalidade. O homem é uma unidade psico-somática. Assim, fomos criados, assim somos agora, e assim seremos após a ressurreição do corpo. Porque futuro glorioso dos seres humanos em Cristo e a redenção plena inclui o corpo (Rm 8.23; 1 Co 15.12-57), pois, o homem não é completo sem ele na nova terra purificada e aperfeiçoada.
VIII.        A ORIGEM DA ALMA DO HOMEM
São três as teorias que tentam explicar a origem da alma no corpo humano
8.1-  Teoria da pré-existência ou emanacionismo: As almas de todos os homens foram criadas por Deus de uma só vez, no início do universo e existem no céu, sendo enviados por Deus e individualmente encarnadas aos corpos dos conceptos em certo momento. Ensinada por Justino Mártir (105-65 d. C) e Orígenes (185-254 d. C.) em ode a eternidade.
8.2- Criacionismo: A alma do homem é criada imediatamente por Deus quando o corpo nasce e envia a alma e/ou espírito para cada criança ao nascer. Dizem: “só Deus pode criar alma e/ou espírito”. (evangélicos). Hb. 12:9.Is. 57: 16.
8.3-  Traducionismo: A alma é transmitida por geração natural, tal como o corpo. O homem transmite aos filhos não só traços de aparência física, como a cor da pele, tipo sangüíneo, altura, cor dos olhos, cabelo, etc... Mas também gera e transmite a alma e/ou espírito dentro do corpo humano. Deus criou o homem, e ao soprar sobre o espírito de vida, lhe deu capacidade para se multiplicar, tanto corporalmente, como espiritualmente (evangélicos/batistas). (Jó 8: 10-12 Lc. 1: 15; Zc. 12: 1). Foi ensinada por Tertuliano em "De Anima".
8.4- Transmigracionismo (Espiritismo): O espírito nasce com o ser vivo em escalas zoológicas inferiores e vai reencarnando em espécies superiores, passando dos símios até o homem. É ligada a teoria da evolução de Darwin.

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário