A DOUTRINA
DO HOMEM (introdução
a Antropologia Bíblico-teológica)
I. ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA: é o estudo do homem estudado
sob o prisma da revelação divina, analisando sua criação, natureza, queda,
redenção e futuro. Responde a questão: Que é o homem? Jó 7: 17. O termo “Homem” em português vem do latim “'homo” que se deriva de húmus (latim),a porção fértil do solo. No A.T. hebraico mda (Adam), tomado da Terra e no
N. T. anqrwpoV (athtrôpós, aquele que olha para cima).
II. A ORIGEM DO HOMEM
Movidos pela incredulidade
na Bíblia, ou fugir da sua verdade, os homens inventaram várias teorias erradas
para explicar a origem da humanidade. Citaremos algumas delas:
- Teoria autoctonista: Proposta e ensinada pelos antigos
gregos, principalmente por alguns filósofos. O homem teria surgiu por meio de uma
classe de gerações espontâneas.
- Teoria coadamita: proposta por Agassis. Houveram
diferentes centros de criação do homem. Sendo que, à medida em que se criou o
Adão da Bíblia na Mesopotâmia, outros “ Adões” teriam surgido na África, Ásia,
etc.
- Teoria pré-adamita: proposta por Peirerus em
1655: Antes da existência de Adão, já existiam homens de raças inferiores.
Winchell aceitou esta teoria, explicando que Adão foi apenas o primeiro da raça
hebraica.
- Teoria evolucionista: proposta por Charles Darwin (1889)
e trabalhada por vários cientistas. O homem evoluiu de um mesmo ancestral que os
símios. Aprofundaremos-nos nela posteriormente.
- Teoria vondanikiana: Década de 60 por Erich Von
Daniken. A vida foi trazida pelos extraterrestres e o homem seria resultante do
cruzamento entre extraterrestre e animais da Terra.
- Criacionismo Bíblico: é
a realidade ensinada e crida pelos cristãos fiéis. Foi revelada divinamente
através do Espírito Santo e registrado por Moisés nos capítulos I e II de
Gênesis. Não contradiz nenhum conhecimento científico sério. Deteremos-nos neste
ponto durante esta lição.
III. O CRIACIONISMO BÍBLICO
- O ato da
Criação do homem
a) Precedido por
solene Conselho Divino: Foi baseada num decreto eterno
e transcendental das três pessoas da Trindade: Façamos (Gn. 1: 26);
b) Imediato por
Deus: Diferente das aves, céus e
seres marinhos (Gn. 1: 11, 20; Gn. 1: 27), o homem foi criado e consumado em um
só ato e não em um processo. Não foi também evolutivamente. O historiador Carl
Grimberg se expressou: “(...) Foi repentino o nascimento da sua inteligência.
Tudo faz supor que o limiar por onde se ascendeu diretamente ao pensamento foi
transposto de uma só vez....”.
c) De
manifestação de sua glória e para Sua glória: (Is. 43: 7; Rm. 11: 36)
d) Visava manter comunicação e afetividade: com um ser em um dos
planetas. “Nossa semelhança”. (Gn. 1:
26; 2: 7). As categorias escolhidas foram anjos (espirituais) e homens (também materiais
no Éden ).
-
Evidencias da Criação do Homem
a)
Argumento Histórico: A história das migrações e das
tradições aponta a origem geográfica comum da humanidade, antes de uma
distribuição universal a partir da região mesopotâmica.
b)
Argumento Filológico: Estudos lingüísticos
comprovam que as línguas tiveram uma origem comum. Por exemplo, as de origem
indo-germânicas são ligadas a resquícios de sânscrito, que é ligado às línguas
egípcias e orientais.
c)
Argumento Psicológico: as almas dos homens,
independente de língua, credo, etnia e civilização possuem mesmas
características: apetites, instintos e paixões, as mesmas tendências e
qualidades.
- O Método
da Criação
a)
Reprodução: Deus programou geneticamente
homem e mulher, com potencial de gerar seres semelhantes a eles mesmos v. 28. Os fez conforme a sua imagem. Os
fez vegetarianos e perfeitos v. 29 a 31.
b)
Material e Design: provavelmente Deus remodelou
(verbo: rxy, ytser) a forma corporal do homem sobre uma porção de solo
no sexto dia da criação, retirando dele certos elementos (Gn. 2: 7). Deus
transmitiu o espírito que animou a matéria organizada e inerte. Em Gênesis 1: 27, a palavra criou é bará (arb), verbo cujo sujeito é apenas Deus e é empregado para
objetos que passam a existir, sem terem existido antes. Lélia Coyne,
pesquisadora da Nasa e professora da Universidade San José, Califórnia em 1985
publicou que a vida humana começou com estratos de caulim (barro branco),
devido a enorme semelhança da constituição química do homem e deste tipo de
solo. Registros: duas vezes (Lei da dupla referência) na Bíblia. Uma vez de
forma sintética e geral (Gn. 1) e outra de forma analítica e específica (Gn.
2). Deus criou primeiramente um lar geral (Terra e Universo) e um lar especial
(Éden): um ambiente com luz, lindo céu estrelado, oceanos, animais e vegetais
(Gn. 1: 1 - 25). E no jardim, ele trabalharia lavrando-o e guardando-o e
dominando (2: 15). Deus deixava-o a vontade para aprender sobre a criação e
vinha fazer-lhe companhia aos finais da tarde. Aqui termino, invocando para
todos os leitores Nm. 6: 24-26.
IV. A CONDIÇÃO ORIGINAL DO HOMEM
4.1 - Possuía a imagem de Deus (Gn. 1: 27): No hebraico temos a
expressão: mlxb wmlxb (bê-tsá-lê-mô bê-tse-lém), onde bê = em, na; tsá-lêm =
imagem, estátua, modelo; ô = sua, dele e tselém = modelo, desenho. Na sua imagem, no seu desenho (Gn. 5: 1
e 9: 6). Imagem não denota semelhança
física pois Deus é Espírito (Jo 4: 24), não possuindo partes ou substâncias.
Deus é invisível (I Tm. 1: 17), ao mesmo tempo em que o homem é visível.
Portanto a esta semelhança é:
a) Pessoal: Ambos apresentam personalidade (Ex. 3: 13, 14), característica que é
não é comum a nenhuma outra criatura, exceto os anjos e demônios. Na Terra, só
o homem é capaz de conhecer, amar e servir a Deus. a personalidade inclui: -Caráter
moral: O homem tem pleno livre arbítrio e reconhece racionalmente o bem e o mal em e para suas decisões (Is. 7:
15, 16 e Dt. 30: 19). – Razão: O homem observa, compreende, interpreta e tenta,
na medida do possível, controlar os fenômenos naturais do universo, percebendo
para isto, os objetos e as relações entre os objetos, podendo inventar e
transformar (Dn. 12: 4; Sl. 94: 10).
b) Imortal: Deus criou o homem para ser uma criatura eterna. O homem pode morrer o
corpo, mais o espírito não é aniquilado (Mt. 25: 46; Dn. 12: 2).
c) Soberana: Deus deu a ele poder para dominar a Terra (Gn. 2: 28; 9: 2); Deus
outorgou-lhe o governo sobre a criação como seu representante e assistente.
4.2 - Possuía a Natureza Santa (Ec. 7: 29): Foi criado um ser santo, com
responsabilidade de desenvolver um caráter santo (Gn. 2: 15-17). O homem
originalmente não era sujeito a morte, dor, envelhecimento ou doenças.
V. PERÍODO DE PROVAÇÃO
5.1- Significado: Período durante o qual, o
homem foi sujeito a determinada prova que consistui de um mandamento positivo
concernente a àrvore do conhecimento do bem e do mal. Os resultados seriam: se
positivos, a confirmação da justiça do homem e o favor de Deus. Se negativos, a
penalidade da morte por desobediência.
5.2- Período: Desde a ordem expressa de Deus
até a queda do casal. Se um século, alguns dias ou semanas, não sabemos, mas
temos certeza de que o homem era capaz de obedecer.
VI. A QUEDA DO HOMEM
Esta doutrina não se limita a religião cristã, pois todas as religiões
contém um relato ou indicação da queda.
6.1- Sua realidade (Gn. 3: 1-6; Rm. 5: 12):
Os pais da raça pecaram e caíram da posição de favor e do estado de inocência
originais.
6.2- Sua maneira: O tentador (Gn. 3: 1)
entendeu a possibilidade da tentação (Gn. 2: 16) e ofereceu sugestões
primeiramente à mulher, que depois assume a posição de tentadora ( 6: 7).
6.3- A culpa
(3: 7, 8) : Ambos perderam a natureza do Estado original. Eram pecadores
responsáveis por seus atos.
6.4- O
Juízo: como conseqüência, bem como castigo da desobediência e abrangeu:
a)
O Homem:
frágil, em virtude da queda, teria dificuldades no trabalho, até ser levado à
morte (3: 17-19);
b)
A Mulher:
sofrimentos físicos e psicológicos da gravidez e do parto e das doenças
genitais (3: 16);
c)
A Serpente:
Como deu lugar a manipulação Diabólica, perdeu suas características originais
d)
Todos os Homens:
estão sujeitos ao pecado e à morte. (Gn. 2: 17; Rm. 6: 23; 5: 12);
e)
Toda a Natureza: é
afetada pelo pecado ( Ef. 6: 11, 12; II
Pe. 3: 10; Is. 55: 13; 11: 6-9).
VII.
A BIFORME
NATUREZA DO HOMEM
O homem foi criado com uma biforme
natureza: material e imaterial. A primeira formada do pó da terra (Gn 2.7) e a
segunda outorgada diretamente pelo Criador. O sopro divino nas narinas do homem
concedeu-lhe a vida física e a espiritual interagindo com o corpo e originando
a alma. A vida imaterial do homem é representada pela alma e/ou pelo espírito.
De acordo com estudiosos bíblicos, o homem ou possui Corpo e Alma-espírito, uma
DICOTOMIA, ou Corpo, alma e Espírito, a TRICOTOMIA. Ambos crêem que só a morte
física é capaz de separar estas partes.
7.1- A Tricotomia: O termo significa "aquilo
que é dividido em três", ou "que
se divide em três tomos". Os tricotômicos acreditam que o homem é
formado por três partes, uma tri-unidade composta e inseparável, o Corpo, alma
e espírito, com base nas passagens Hb. 4: 12 e I Ts. 5: 23.
a)
O Corpo: É a parte material do homem
e se constitui de elementos químicos da terra, como oxigênio, carbono,
hidrogênio, nitrogênio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre , sódio, cloro,
iodo, ferro, cobre, zinco, e outros elementos que se unem em moléculas,
tecidos, órgãos e sistemas. (II Co. 5: 1; Dn. 7: 15; I Co. 6: 19; Ef. 5: 29).
- As
faculdades sensoriais do corpo. São
os cinco sentidos, os quais se manifestam através do corpo: visão, audição, olfato, paladar e tato.
Ainda que distintos, eles não atuam independentes do comando da alma. Dirigem
aos instintos naturais: reprodução, alimentação e proteção através de
impressões do mundo exterior, transmitidas ao cérebro. É daí que partem as
ordens para todas as partes do corpo. Os sentidos obedecem às leis naturais no
ser humano.
b)
A alma: Possui relação com a parte material do homem (corpo) e
com a parte espiritual (espírito). É a personalidade do homem, sua capacidade
de pensar e decidir, sem a alma o corpo não vive, pois é a alma que dá qualidade
de vida ao corpo, planejando, pensando, ordenando ao movimenta, à falar,
etc... É traduzida, no hebraico do Antigo Testamento, por "NEPHESH" e, no grego do Novo
Testamento, por "PSIQUÊ".
- As
faculdades da alma. São três as faculdades da alma, pelas quais ela se
manifesta: -O Intelecto: (Gn l.28;
2.19,20) que pensa, raciocina, decide, julga e conhece. Três outras
manifestações do intelecto lhe são peculiares: a imaginação, memória e razão.
Com a primeira, o homem é capacitado a idealizar e projetar, construindo
imagens, através do raciocínio. A segunda, capacita o homem a guardar em seu
cérebro os fatos passados e presentes. Ela retém os conhecimentos adquiridos e
os traz à lembrança. A terceira leva-o a pensar, julgar e compreender as
relações entre as coisas, distinguindo o verdadeiro e o falso, o bem e o mal. -O Sentimento: faz o homem um ser
emotivo. Ele não é uma máquina insensível, pode sentir todas as emoções, como
alegria, paz, prazer, tristeza, descontentamento e pesar. - A
Vontade: se expressa como resultante das influências do intelecto e dos
sentimentos. Não age sozinha, ela obedece às forças emotivas e intelectuais da
alma. (At. 7: 14; Lv. 17: 14; Jó 12: 10; Jó: 10: 1; Is. 61: 10; Mt. 26:38; Jo.
12: 27)
c) O
espírito:: No hebraico é "RUACH"
e no grego é "PNEUMA". O
espírito do homem não é um simples sopro ou fôlego, mas também vida
imortal. (Ec 12.7; Dn 12.2; Lc 20.37; 1
Co 15.53). Ele é o princípio ativo de nossa vida espiritual, religiosa e
imortal. É o elemento de comunicação entre Deus e o homem.
- As faculdades do espírito. Duas
faculdades principais se destacam com abrangência sobre outras qualidades
importantes, as quais são: Fé e
Consciência. Elas identificam o ser religioso do homem. Podemos chamar de
natureza espiritual, da qual o ser humano é dotado especialmente para uma
perfeita comunhão com Deus. Os sentidos físicos e psicológicos tornam o homem
um ser terreno e racional, mas os espirituais o tornam um ser especial. - A faculdade da fé: é uma qualidade do
espírito humano que expressa a religiosidade do homem e o torna capaz de
adorar, reverenciar, louvar e orar a Deus, o Criador. Não se trata de um tipo
de fé, adquirida ou ensinada, mas é uma forma inata que nasce com qualquer ser
humano. Ela nos estimula a buscar a Deus e comungar com Ele. - A faculdade da consciência: é a lei
moral e espiritual, no interior do homem, que aprova ou desaprova as suas
ações. É a intuição que o espírito tem dos atos e estados do ser humano em sua
vida cotidiana. É a consciência. (I Co. 6: 17; Jo. 4: 24; Tg 2: 26; Sf. 3: 9).
7.2- A
Dicotomia: Os Dicotômicos crêem que
alma e espírito é uma mesma coisa, uma só parte, não diferenciando em nada,
porém se alternam no uso em algumas passagens bíblicas apresentando-se ora
alma, ora espírito. Biblicamente, o homem é uma
totalidade, possuindo dois lados: físico e não-físico com uma personalidade. O
homem é uma unidade psico-somática.
Assim, fomos criados, assim somos agora, e assim seremos após a ressurreição do
corpo. Porque futuro glorioso dos seres humanos em Cristo e a redenção plena
inclui o corpo (Rm 8.23; 1 Co 15.12-57), pois, o homem não é completo sem ele
na nova terra purificada e aperfeiçoada.
VIII.
A ORIGEM DA ALMA DO HOMEM
São três as teorias que tentam explicar
a origem da alma no corpo humano
8.1- Teoria da pré-existência ou emanacionismo: As almas
de todos os homens foram criadas por Deus de uma só vez, no início do universo
e existem no céu, sendo enviados por Deus e individualmente encarnadas aos
corpos dos conceptos em certo
momento. Ensinada por Justino Mártir (105-65 d. C) e Orígenes (185-254
d. C.) em ode a eternidade.
8.2- Criacionismo:
A alma do homem é criada imediatamente por Deus quando o corpo
nasce e envia a alma e/ou espírito para cada criança ao nascer. Dizem: “só Deus
pode criar alma e/ou espírito”. (evangélicos). Hb. 12:9.Is. 57: 16.
8.3- Traducionismo: A alma é
transmitida por geração natural, tal como o corpo. O homem transmite aos filhos
não só traços de aparência física, como a cor da pele, tipo sangüíneo, altura,
cor dos olhos, cabelo, etc... Mas também gera e transmite a alma e/ou espírito
dentro do corpo humano. Deus criou o homem, e ao soprar sobre o espírito de
vida, lhe deu capacidade para se multiplicar, tanto corporalmente, como
espiritualmente (evangélicos/batistas). (Jó 8: 10-12 Lc. 1: 15; Zc. 12: 1). Foi
ensinada por Tertuliano em "De
Anima".
8.4- Transmigracionismo (Espiritismo): O espírito nasce com o ser vivo em
escalas zoológicas inferiores e vai reencarnando em espécies superiores,
passando dos símios até o homem. É ligada a teoria da evolução de Darwin.
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