A DOUTRINA DO PECADO (Introdução à Hamartiologia I Pe. 1.16;
Tg 1.17)
HAMARTIOLOGIA – (gr. Hamartia
amartia, "pecado" e logia
lógoV),
"tratado". Área teológica que estuda o pecado em todos os seus
aspectos: sua origem, causas, conseqüências e sua natureza essencial.
I. A ORIGEM DO PECADO
Filósofos, psicólogos, teólogos, cientistas e muitos
outros têm-se ocupado com o mistério da origem do pecado. Os resultados das
suas pesquisas diferem muito entre si, mas a Bíblia nos dá a definição correta.
1.1 Em Relação a Deus: Deus não pode pecar. A origem do pecado jamais pode
ser dEle, pois Deus é Santo (1Pd. 1:16), é Luz (I Jo. 1:5) e não pode ser
tentado pelo mal e a ninguém tenta? (Tg. 1:13).
1.2 Em Relação ao Homem: A
origem do mal tampouco foi o homem, pois foi criado a imagem de Deus (Gn. 1:27)
e perfeito (Gn. 1: 31; Ec 7: 29). Quando Adão e Eva foram criados, o mal já
existia no universo. Seu pecado originou-se
no Éden (Rm.
5: 12; Gn. 3:1-24), por um ato de desobediência responsável por
parte de Adão.
1.3 Em Relação a Satanás: O pecado inicial foi achado em satanás. Alguns anjos
o seguiram em seu pecado. (Jo. 8: 44; 1 Jo. 3:8; Ez. 28:14, 16; Is. 14: 12 à
14; Lc. 10:18). Por que Deus criou Satanás, se sabia que, mais
tarde, ele rebelar-se-ia e transformar-se-ia no grande inimigo de Deus e da
raça humana? Por que Deus também criou o ser humano, se sabia que ele iria
pecar e trazer tanta desgraça sobre si mesmo? Deus sabe todas as coisas, o que
já aconteceu e o acontecerá. Só que Ele não interfere em uma coisa: A Liberdade de Escolha dos seres criados.
Se Deus deixasse de criar Lúcifer, somente porque este, no futuro, dar-Lhe-ia
muito trabalho, estaria mostrando certo tipo de manipulação para seus próprios
interesses. Deus criou seres livres, que tinham todos os motivos para amá-Lo,
mas que poderiam, também, se voltar contra Ele próprio, se o quisessem. Lúcifer
e seus aliados, por escolha pessoal preferiram duvidar da bondade de Deus e se
rebelarem contra Seu governo. Deus tem permitido o "mal" por tantos
milênios, a fim de que a real malignidade de Lúcifer fique patente aos olhos de
todo o universo e tem permitido a existência da raça humana a fim de que cada
habitante decida de que lado deseja estar e para que o propósito de amor que
Ele tem para a humanidade seja alcançado (I João 4:8). Ele criou a raça humana,
porque, mesmo apesar da triste história do pecado, muitos se colocariam ao lado
dEle, no conflito histórico entre o bem e o mal. Muitos iriam louvá-Lo, em meio
às tragédias causadas pelo pecado. Muitos se tornariam Amados Filhos, em meio aos tormentos desta vida.
1.4 Pequena
História da Teologia do Pecado Original e da herança pecaminosa: Sempre houve
divergências quanto à definição do Pecado Original. Embora os Pais da Igreja
Primitiva não se tenham dedicado ao labor de escrever o suficiente sobre este
tema, contudo, segundo os Pais da Igreja Grega, há uma corrupção física na raça
humana proveniente de Adão, porém, isto não envolvia a culpa. Irineu (130 a 200 d.C.) enfatizava
que a culpabilidade do pecado foi transmitida a partir de Adão e que a lavagem
dos pecados se iniciaria com a fé. Seu
contemporâneo Cipriano entendia que todos nascem culpados do pecado de Adão e que
mediante o batismo se alcança regeneração. Na Igreja latina, porém, apareceu
uma tendência diferente através de Tertuliano. Este considerou o pecado original
uma infecção hereditária e classificava os pecados depois do batismo como
pecados mortais. Ambrósio, outro famoso Pai da Igreja Latina, foi além de
Tertuliano na questão e o descreveu como um estado, fazendo uma distinção entre
a corrupção inata e a culpa do homem. Orígenes ensinou o livre-arbítrio e a
universalidade do pecado e que como conseqüência deste, a alma após a queda
ficou aprisionada pelo corpo. Para Pelágio (Séc. IV), não existia o pecado
original, pois a responsabilidade do pecado é pessoal e baseada no livre
arbítrio. Pelágio defendia que a culpa de
Adão não foi transmitida aos seue filhos, pois todos têm a capacidade de julgar
o bem e o mal após a formação de sua consciência moral. Ensinava que a morte
não foi motivada pelo pecado de Adão, pois este morreria mesmo que jamais
tivesse pecado. Após as fundamentações da escola pelagiana – julgando
Adão apenas como um mau exemplo – houve forte questionamento desta por
Agostinho. Os apontamentos agostinianos ajudaram os Concílios a elaborar a
doutrina do pecado original.
Segundo eles, a natureza do pecador, tanto física como moralmente, está de todo
corrompida por causa do pecado de Adão, de tal maneira que o homem não consegue
fazer outra coisa senão pecar. Esta contaminação e culpa ofende a santidade de
Deus. Os reformadores, de modo geral, estiveram de acordo com Agostinho.
Somente Calvino diferia dele, principalmente em dois pontos: 1) que o pecado
original não é algo completamente negativo, uma vez que esse pecado, segundo
ele, dá lugar à eleição de Deus; e 2) que esse pecado está limitado à
natureza sensível do homem.
1.5
Conseqüências Gerais do Pecado Original: a) Morte física: afetou a constituição do ser humano,
causando-lhe a separação entre o corpo e a alma; (Gn.¨3:19; Ec. 12:7b; Rm. 5: 12, 17; Hb. 9: 27) Morte espiritual: a separação entre o homem e Deus e trouxe
consigo alguns resultados, quais sejam: - Perda da semelhança moral: entre o homem e Deus, (Gn.¨1:26-27. Rm.¨3:10-23). - Exclusão da presença de Deus: (Gn.¨3:8, 23-24; Tg.
4: 4). e – Depravação: que provoca a tendência para o mal (Gn. 6:5; 6:11-12;; Sl.¨14:1-3; Rm. 1:25; 3:10-12). c) Culpa: Condição que resulta do pecado cometido pelo pecador em
relação à justiça e santidade de Deus (Gn. 3: 10). A culpa do pecado individual
é intransferível (Ez¨18:1-20), porém
a do pecado original é aplicada a raça como um todo.
II. A DEFINIÇÃO DE PECADO
2.1. Teorias insuficientes: As teorias que expressam
definições incompletas ou erradas acerca do pecado são:
a)
Dualismo: oriundo da Filosofia grega
e do Gnosticismo, ensinava que o ser humano tem um espírito derivado do reino
da luz e um corpo com sua vida animal derivado do reino das trevas. Assim, o
pecado é a contaminação do espírito por meio da sua união com o corpo material,
físico. O pecado uma entidade externa a Deus, passa a ser independente e oposto
à Ele.
b)
Egoísmo: de acordo com Strong, pecado
é egoísmo. É preferir as próprias idéias ao invés da verdade de Deus, a
satisfação da própria vontade ao invés de fazer a vontade de Deus e amar-se a
si mesmo mais do que a Deus. Pode manifestar-se na forma de sensualidade,
incredulidade ou inimizade contra Deus. Esta definição é ouvida com freqüência.
É bíblica, mas incompleta e insuficiente, pois o egoísmo é apenas a raiz do
pecado e amor-próprio a essência deste estado mal da alma.
c)
Pelagiana: proposta pelo teólogo
Pelágio. O pecado de Adão prejudicou somente a ele próprio. Todas as pessoas
nascem no mundo no mesmo estado em
que Adão foi criado. Elas têm conhecimento do que é mau e a
capacidade de fazer tudo o que Deus requer. O pecado, portanto, consiste apenas
na escolha deliberada do mal.
d)
Agostiniana: ensinada pelo teólogo
Agostinho: Todas as pessoas possuem uma depravação inerente e hereditária que
inclui tanto culpa quanto corrupção. Nós ofendemos a santidade de Deus por
causa de atos deliberados de transgressão e da ausência de sentimentos
corretos. Porém, o pecado é negação; ele não é necessário.
e)
Católica Romana: cuja fonte é o
ensino da tradição: O pecado original é transmitido a todas as pessoas. Nós
nascemos em pecado e somos oprimidos pela corrupção da nossa natureza. Essa
privação da justiça permite que as capacidades inferiores da natureza humana
ganhem ascendência sobre as superiores, e a pessoa cresce em pecado. A natureza do
pecado é definida com a morte da alma. Portanto, o pecado consiste na perda da
justiça original e na desordem de toda a natureza. Deve-se combatê-lo
praticando obras caridosas, participando de missas, etc.
f)
Ciência Cristã: O pecado é um erro da
mente moral, é apenas a ausência do bem. Na verdade, existem formas de pecado
extremamente malignas e agressivas, que têm uma existência positiva e são
ofensas a Deus.
f) Ilusão: proposta por várias correntes filosóficas do
passado e do presente, como o ateísmo, evolucionismo e materialismo. Esta idéia (errônea) assume várias formas de
expressão; e.g., nossa falta de conhecimento é a razão pela qual temos a ilusão
do pecado; ou, quando a evolução tiver tido tempo suficiente para nos ajudar a
progredir, a ilusão do pecado desaparece. De acordo com esta linha, o pecado
não existe realmente, pois é contra um Deus inexistente.
g) Determinismo: o livre arbítrio é uma ilusão. O homem pensa ser livre, mas na
verdade, todas nossas opções são ditadas por impulsos internos e circunstâncias
que escapam ao nosso domínio. Não se pode evitar o pecado.
h) Hedonismo:
O melhor e mais proveitoso da vida é a conquista do prazer e a fuga da dor. A
finalidade da vida é apenas o prazer e este deve ser desfrutado sem nenhum
sentimento de culpa.
2.2
Definição Bíblica: A Bíblia usa
muitos termos para descrever a natureza do pecado: ignorância (Ef 4.18), erro
(Mc 12.24-27), impureza, idolatria (Gl 5.19-20), transgressão (Rm 5.15), etc. A
essência do pecado está em colocar algo mais importante no lugar de Deus, tudo
oposto e aquém da sua glória e perfeição. É desobediência, uma brecha ou
rompimento de relações entre o pecador e o Deus criador, é o declínio
espiritual oriundo deste rompimento.
"Enquanto o pecado como um estado é dessemelhança
de Deus, como um princípio é oposição a Deus e como um ato é transgressão da
Lei de Deus, sua essência é sempre e em toda a parte egoísmo"
(Dr. E. G. Robinson Strong,
Systematic Theology, pág. 295).
a)
Por fases: O pecado apresenta
diferentes fases:
- Como Um Ato:
Em I Jo. 3: 4 o
pecado é definido como um ato. É transgredir, ou contrariar voluntariamente à
Lei divina (Jr. 14: 7; Pv 14: 21; 24: 9; 21: 4; Rm. 14: 23 14: 19 – 22; I Jo.
3: 18- 22; I Sm. 15: 23; Tg. 2: 1 - 4, 9); Também é deixar de cumprir parcialmente as
exigências divinas (Tg. 4: 17).
- Como Um
Estado: Nossos atos nada são senão
expressões dos nossos seres interiores. A pecaminosidade íntima, o estado mal
da alma e da personalidade então, deve preceder os atos manifestos do pecado. A
natureza pecaminosa é a
tendência e inclinação humana para fazer tudo aquilo que nos torna reprováveis
aos olhos de Deus. (II Co. 4.4; Ef.
4.18; Rm. 1.18- 3.20. Rm. 6: 21; 7: 8,11,13,14,17,20; I Jo. 1: 8). Vemos,
então, que é uma perversidade da vontade e da disposição. O homem nunca a sobrepujará
enquanto ele estiver na carne. A regeneração põe um entrave sobre ela, mas não
a destrói. O pecado não é mero resultado da união do espírito com o corpo: o
espírito mesmo é pecaminoso e seria tão pecaminoso fora do corpo como no corpo.
Satanás é incorpóreo, contudo é supremamente pecaminoso.
b) Pela
terminologia bíblica: As palavras
originais mencionadas na Bíblia, explicam o significado do pecado:
-
Transgressão (parabasiV Hb. 2:2): Literalmente: ir além do limite. (Rm. 4:15; I Jo. 3: 4b, 8, 9). Os mandamentos de
Deus são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território
perigoso e dessa maneira sofrer prejuízo para sua alma. Adão caiu em transgressão
(I Tm. 2:14; Rm. 5:14), o que significa que ele violou as ordens de Deus,
deixando de cumprí-las. Toda a transgressão desonra a Deus (Rm. 2:23).
-Impiedade (asebeia asébeia; Rm.
1:18; Tt. 2:12; II Tm. 2: 16): Significa ação sem piedade, isto é, sem amor,
sem adoração e devoção à Deus. O homem ímpio dá pouca ou nenhuma importância a
Deus e às coisas sagradas. Estas não produzem nele nenhum sentimento de temor e
reverência. Não quer saber e está sem Deus.
-Injustiça (avon;
adikia
adikía; Rm. 1:18; I Jo. 5: 17):. Quando falta procedimento de acordo com o
direito próprioe do próximo, então se trata de injustiça.
-Desobediência
(apeiqeia apéitheia; Hb.
2:2): Significa insubmissão ou rebelião (literalmente ouvir mal, com falta de
atenção). Diante de Deus é como feitiçaria (I Sm. 15:2). Como Adão e Eva
cometeram (Rm. 5:19; Lc. 8: 18).
-Iniqüidade
(anomia anomía)
(Rm. 2:8; I Jo. 5: 17): Significa falta de equidade, reconhecimento do direito
ou dos princípios imutáveis da justiça. Tudo que promove desordem na vida do
homem.
-Errar o Alvo
(amartia
hamartía) O certo é atirar sem errar
o alvo (Jz. 20:16; Gn. 4: 7; Ex. 9: 27; Lv. 5: 1; Nm. 6: 11; Pv. 8: 36). Porém,
quando alguém não faz o que é certo, errou o alvo, e isso expressa o que é
pecado (Lc. 11: 4; 15: 18, 21; Jo. 1: 29; 8: 34; Rm. 3: 23; 6: 23; I Co. 15: 3;
I Jo. 1: 7, 9, 10). A palavra reúne também idéias como errar o caminho, como um
viajante enganado e ser achado em falta, quando pesado na balança divina.
-Dívida (ofeilhmata oféilêmata;
Mt. 6:12; Lc. 11: 4): O Homem “deve” a Deus a guarda dos seus mandamentos; todo
pecado cometido é contração de uma dívida e o homem é incapaz de pagá-la.
-Queda
(htthma rêttêmá)
(Rm. 11: 12; Ef. 1:7). Falta, ou cair para um lado no grego, donde a conhecida
expressão, cair no pecado. Pecar e cair e um padrão de conduta.
-Derrota
(yâhãm paraptwma paráptôma;
Rm. 11:12): Ao rejeitar a Cristo, a nação judaica sofreu uma derrota e saiu do
propósito divino.
-Erro
(paraptwma paráptôma;
Salmos 19: 12; Hb. 9:7): Alguns pecados cometidos são fruto da ignorância, e
dessa maneira se diferenciam daqueles pecados cometidos presunçosamente, desafiadoramente
apesar da luz esclarecedora e que incorrem em maior grau de culpa do que aquele
que é apanhado em falta por debilidade. A palavra significa literalmente
tortuosidade e perversidade.
III. Extensão da natureza
pecaminosa:
Todos os homens, cuja única exceção é o Deus – homem,
Cristo Jesus nosso Senhor, são pecaminosos por natureza e expressam essa
pecaminosidade interior em transgressão deliberada tão cedo atinjam a idade de
responsabilidade, esta é a doutrina da Universalidade
do pecado (Rm. 3: 23; 5: 2; 5: 16). As Escrituras ensinam também que a
extensão do pecado no ser humano individual é total. O pecado permeou cada
faculdade do ser humano assim como uma gota de veneno permeia cada molécula de
um corpo de água. O pecado polui todo ato seu:
3.1 Presença
do Pecado: Na mente. Gn. 6: 5,
coração. Jr. 17:9. Nos afetos, de maneira que o homem é oposto a Deus. Jo.
3:19; Rm. 8:7, na consciência Tt. 1:15; Hb. 10:22, na palavra. Sl. 58:3; Jr.
8:6; Rm. 3:13. É Depravado da cabeça aos pés. Sl 1:5,6; Is. 1:6. Ao nascer. Sl
51:5;
3.2 Base da
depravação e fraqueza espiritual: jaz
no coração. Ele é enganoso e irremediavelmente perverso (Jr. 17: 9), dele vêem
as saídas da vida (Pv. 4:23) e as boas coisas e as más (Mt. 7:17,18; Lc. 6:45; Jó
14:4).
IV. Pecado Imputado
Imputação é o
resultado da participação de cada homem no pecado original de Adão.
4.1 Realidade: Rm. 5.12; 5: 19; Ef. 2: 3: Toda humanidade estava em
Adão, participando de seu pecado e assumindo a culpa resultante dele, pois a
perfeita conexão entre o pecado de Adão e o da sua posteridade é explicada por
que Deus criou somente uma raça humana e Adão o primeiro homem, constituindo-se,
portanto, a raça na ocasião da queda . Por isto, quando ele caiu, toda a raça
caiu com ele. A experiência mostra que se estivéssemos no lugar de Adão
teríamos também caído. A raça pecou somente uma vez, na queda e o indivíduo
peca muitas vezes. Por isto, cada um tem a culpa de seu próprio pecado. O
pecado da raça é nosso, os pecados individuais de Adão após a queda eram
particularmente dele (Sl 51.5; ).
4.2 Transmissão: Há várias teorias que tratam
da Transmissão do pecado de Adão a cada
membro da raça:
a) Teoria de
Armínio: Todas as pessoas nascem destituídas de Justiça original, devido à
desobediência de Adão e são por isto expostas à morte física e espiritual. O
homem possui pleno livre-arbítrio, porém ninguém é capaz de obedecer a Deus,
por que herdamos da queda a natureza corrupta para desobedecer às leis de Deus.
Os descendentes de Adão, porém, não têm culpa na queda, porque o culpado foi
Adão e assim, Deus deve então auxiliar cada um dos homens. Todo ser nascido
deve ter a mesma oportunidade que Adão teve e por isto, Deus torna-se obrigado
a influenciá-lo com o Espírito Santo para compensar a perda da Justiça original
de Adão. Como o homem não tem culpa da queda, Deus só imputa o pecado, quando o
homem peca pela primeira vez na sua vida. A responsabilidade do homem é em
relação aos próprios atos e por estes ele será julgado.
b)
Teoria Congregacionalista: Os homens
já nascem corrompidos com a tendência pecaminosa (e não natureza). Herdamos de
Adão apenas esta tendência para o pecado e esta leva para a morte. Deus imputa
ao homem apenas a culpa de seus pecados pessoais práticos para sua morte
pessoal e não o pecado da raça em Adão. Acusa também Deus de ser o criador da
natureza corrompida do homem e de condenar os infantes por pecados que ignoram.
c)
Condenação por Contrato: Adão foi o
representante da raça e houve um contrato com Deus de que: Se o homem fizesse o
bem herdaria a vida eterna e se o mal, a condenação eterna. Como Adão pecou,
sua posteridade ficou corrompida. Acusa Deus de ser o criador da alma
pecaminosa no homem, quando Deus apenas o concedeu o livre arbítrio. Não está
registrado na Bíblia tal contrato. A relação representante-representado é
insuficiente para descrever a relação Adão-humanidade, com respeito à imputação
do pecado.
d)
Teoria de Agostinho: Deus imputa o
pecado de Adão aos seus descendentes diretamente por causa da relação vital
entre Adão e estes. Na queda, a raça estava em Adão e Adão era a raça. Somos
filhos dele tanto quanto o eram seus primeiros filhos. Nascemos com a natureza
pecaminosa e esta é que nos compele a pecar (Sl. 51: 5; Is. 53: 6). Esta teoria
é aceita pelos batistas.
e)
Calvinismo: Deus não poderia dar a
ninguém o desejo de pecar e nem mesmo uma natureza pecaminosa. O pecado de Adão
é o nosso pecado, pois este era nosso representante e a liberdade humana e
angelical é que torna todo o mal possível. O desejo de realizar o mal vem de
nossa natureza caída, que somente desejará o mal.
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